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O que o combate às fake news tem a ver com a sua carreira?


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Resumo: O combate às fake news não é uma tarefa só para jornalistas ou para celebridades afetadas pelas notícias falsas. Afinal, quem troca mensagens pelo celular (quase todo mundo!) está exposto a uma chuva de informações propositalmente inverídicas - e isso pode ter consequências bem negativas para a vida das pessoas afetadas, para quem acredita nas afirmações mentirosas e para a sociedade como um todo. Mais do que uma necessidade, porém, filtrar as fake news pode ser uma oportunidade para você desenvolver habilidades importantes para o seu crescimento e para a carreira. Saiba como, logo a seguir.

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Uma pesquisa divulgada em 2018 pela PSafe, start-up carioca de aplicativos para celulares, mostrou que, no primeiro trimestre daquele ano, pelo menos 8,8 milhões de brasileiros haviam recebido no mínimo uma fake news (notícia falsa).


Segundo o laboratório dfndr lab, ligado à PSafe e especializado em segurança digital, mais de 95% das fake news naquele período foram enviadas pelo WhatsApp.


O pior é que as histórias criadas para nos enganar chegam a nós, muitas vezes, por meio das pessoas mais próximas e queridas, como mostrou uma pesquisa do grupo Monitor do Debate Político do Meio Digital, da Universidade de São Paulo (USP).


Segundo um levantamento realizado pelo Monitor em 2018, que confirma os resultados de uma pesquisa semelhante realizada pouco antes em Israel, os grupos de família no WhatsApp são os maiores responsáveis pela difusão de fake news (saiba mais na reportagem da Juliana Gragnani para a BBC Brasil).


Combate às fake news como exercício para o senso crítico


O que as observações sobre o assunto nos mostram é que o combate às fake news tornou-se, portanto, parte essencial do uso dos aplicativos de mensagens e redes sociais.


O Veduca quer convidar você a se empenhar nessas tarefas, mas também quer ir além: já que teremos que lidar com as notícias falsas, pensamos em uma forma de aproveitá-las para algo positivo.


Conversando com um especialista em fake news e comportamento humano, entendemos que a necessidade de navegar pela maré diária de informações enganosas nos traz a chance de fortalecer habilidades importantes, que podem nos ajudar, inclusive, a crescer na carreira.


Entre as capacidades que podemos afiar por meio do exercício de filtrar histórias inverídicas estão o senso crítico e o raciocínio lógico, mas também a empatia e a aceitação do ponto de vista de alheio.


Você topa essa sugestão de transformar o problema das notícias falsas em oportunidade de desenvolvimento pessoal? Então, confira as nossas três sugestões para começar esse processo!


* Primeiro, compartilharemos com você (logo abaixo) uma entrevista que fizemos com o Dr. Cláudio Martins, mestre em Psiquiatria, diretor-secretário da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) e presidente da Associação de Psiquiatria Cyro Martins (CCYM). O Dr. Cláudio nos contou como as fake news influenciam o comportamento de quem as recebe e por que as notícias falsas são tão poderosas. É um bom primeiro passo para compreender como o ato de filtrar histórias enganosas pode trazer benefícios individuais.


* Nossa segunda sugestão é que você leia algumas dicas de como identificar fake news (também logo abaixo) e comece a colocar esses conselhos em prática. Listamos, ainda, algumas habilidades que esse exercício deve ajudar você a fortalecer.


* Por fim, como terceiro passo da nossa “missão fake news”, sugerimos matérias, vídeos e podcasts a respeito do tema, para inspirar você a refletir sobre o impacto das notícias falsas na vida das pessoas, da sociedade e das instituições.


Esperamos que esses três passos sejam um ponto de partida interessante para você entrar no combate às fake news com ainda mais empenho e para crescer a partir desse exercício.


1) Entrevista: fake news e capacidades individuais



Blog do Veduca - Por que acreditamos em fake news?


Cláudio Martins - A crença nas fake news está muito vinculada às necessidades e desejos das pessoas em determinado momento. Frequentemente, as pessoas vão ao encontro das suas crenças ideológicas quase como se fosse uma crença religiosa.


Blog do Veduca - A crença nas fake news não é racional, então?


Cláudio Martins - Assim como as pessoas acreditam na religião porque há uma necessidade humana, em nível inconsciente, de ter um espectro de esperança, a fake news gera uma esperança que atende a uma necessidade psíquica de sedimentar um pensamento. A pessoa que acredita em uma fake news precisa defender aqueles processos que sustentam suas crenças, suas visões políticas e de mundo, por isso, aceita a notícia falsa sem se preocupar em questionar se é verdadeira.


Blog do Veduca - Os produtores de fake news jogam com essa necessidade das pessoas de confirmarem suas próprias crenças?


Cláudio Martins - Bastante. Quem produz a fake news tem uma habilidade de mobilizar esse universo de valores e crenças das pessoas que se identificam com aquela matéria falsa. Usando um exemplo extremo, quando a gente pensa em um grupo fundamentalista que promove um atentado, tem dificuldade de entender como alguém chega ao ponto de explodir um prédio com pessoas dentro. As pessoas envolvidas no atentado, porém, veem aquilo de outra perspectiva. De alguma forma, aquele ato faz sentido, na visão de mundo que o terrorista construiu. O que isso nos mostra é que a manipulação da realidade pode nos levar a tomar atitudes e a acreditar em coisas que parecem absurdas para quem não compartilha daquela visão.


Blog do Veduca - Desse ponto de vista, o que é a fake news?


Cláudio Martins - Dessa perspectiva, fake news é uma manipulação da realidade com o propósito de atingir pessoas que se identificam com aquela ideologia. É uma mudança da verdade, até porque a verdade absoluta não existe, ela é uma construção que vai dominando as pessoas até ser considerada verdade.


Blog do Veduca - Como essa manipulação da verdade se relaciona com nosso cérebro?


Cláudio Martins - A fake news se relaciona com a forma como nosso aparelho psíquico se identifica com aquela narrativa, de acordo com nosso histórico de vida. Muitas vezes, a crença nas fake news nem é uma incapacidade de compreender a realidade, mas é uma compreensão diferente da realidade. Existe uma experiência muito conhecida, já repetida em muitos experimentos científicos, para mostrar como uma mensagem pode ser interpretada de formas diferentes. Coloca-se várias pessoas em linha, passa-se uma mensagem no ouvido da primeira pessoa da fila e ela tem que passar para a seguinte, e assim consecutivamente. Quando a mensagem chega na última da fila, é possível ver o quanto ela foi distorcida no caminho. Quem recebe a notícia interpreta de um jeito diferente daquele que outras pessoas interpretam.


Blog do Veduca - Mas, então, as fake news se propagam sem que haja más intenções de quem as repassa?


Cláudio Martins - Não, claro que há também outro viés, que é o posicionamento sociopático, no sentido de que pode haver um direcionamento maledicente e proposital, para gerar prejuízo real e maltrato a outras pessoas. A fake news manipula a realidade de uma forma a deixar vulneráveis pessoas ou grupos que desagradam o produtor ou o disseminador da notícia falsa. Para algumas pessoas perversas, existe esse prazer em ver uma pessoa exposta. A satisfação em ver as alguém sofrer pode ter um papel, nesse caso. Existe um ganho inconsciente de perversão.


Blog do Veduca - Esse é um comportamento novo nas sociedades?


Cláudio Martins - Não, fake news não é novidade. Para ficar em um exemplo anterior à internet, mas não tão antigo, os tablóides ingleses dos anos 1980 ganharam fama por criarem notícias absurdas, que atingiam diretamente alguns indivíduos, e por venderem milhares de exemplares diariamente nessa base. O que mudou foram as nossas comunicações, que são muito imediatas e permitem que qualquer um produza uma notícia. A velocidade com que a fake news se espalha e o número de pessoas produzindo notícias falsas aumentaram incrivelmente. Por isso, temos esse fenômeno das fake news influenciando tanto a sociedade.


Blog do Veduca - É possível lutar contra os mecanismos psíquicos que as fake news acionam?


Cláudio Martins - Sim. Primeiro, temos que lembrar que as gerações mais novas são alfabetizadas digitalmente, o que contribui para que entendam melhor que uma notícia pode ser falsa. O clássico da fake news é a pessoa encaminhar algo que ela recebe sem sequer questionar aquilo, e um dos fatores para esse comportamento é a ignorância digital. Talvez, daqui a 20 anos, exista uma situação de maturação da nossa capacidade crítica, como sociedade, em relação às fake news. Esse juízo crítico precisa ser ampliado.


Blog do Veduca - Há outros fatores, além do desenvolvimento do senso crítico?


Cláudio Martins - Um segundo fator é a possibilidade de controle da impulsividade. A pessoa que recebe uma notícia precisa estar atenta às emoções que aquela história gera nela mesma. Além disso, tem que prestar atenção à origem daquela notícia. Isso parece fácil, mas o ser humano não funciona só no modo lógico e racional. A impulsividade faz parte do comportamento humano e se manifesta mais em alguns momentos, para qualquer indivíduo. A gente pode estar passando por um problema, estar com raiva de algo e acabar projetando nessa notícia falsa emoções que vêm de outros contextos. Isso contribui para a pessoa acreditar em uma notícia falsa e, mesmo, para compartilhá-la.


Blog do Veduca - O senhor observa isso acontecendo na prática?


Cláudio Martins - Claro. Vejo isso inclusive nos grupos de mensagens dos quais eu faço parte. Às vezes, alguém encaminha uma fake news e a gente vê que o momento que aquela pessoa está vivendo pode ter sido um fator que levou a esse compartilhamento. Falar sobre fake news é importante por causa disso. O comportamento de disseminação das fake news pode ter origens individuais, relacionadas à história, ao conjunto de crenças e ao momento da pessoa, mas também a fatores sociais, ao clima que o país vive e ao grau de maturidade da sociedade em relação às notícias.


Blog do Veduca - Pode-se traçar um paralelo entre as habilidades necessárias para lidar com as fake news e aquelas exigidas em outras formas de resolução de problemas?


Cláudio Martins - Sem dúvida. Ao nos depararmos com problemas, precisamos usar a capacidade crítica, controlar a impulsividade e buscar estratégias, assim como precisamos fazer ao receber fake news. Além disso, a capacidade de resolução de problemas, assim como o discernimento frente às notícias falsas, também pode ser afetada pelo momento do indivíduo. Quando estamos em um momento mais instável, um problema que não nos afetaria tanto em outras situações pode trazer mais dificuldades. Todo mundo tem dias em que produz mais facilmente no trabalho e dias em que o mesmo trabalho custa a sair. É importante se observar e entender como essa variações nos afetam.


Blog do Veduca - Filtrar fake news, então, pode ser um exercício de desenvolvimento de habilidades?


Cláudio Martins - Da perspectiva que mencionamos, sim. Todas as habilidades que a gente vai incorporando podem servir para outras situações. É preciso tomar cuidado, ao exercitar essas habilidades, para não cair no outro extremo, o da pessoa paranóica, que acha que nada é verdadeiro e que tudo é fabricado com uma má intenção.


Blog do Veduca - Como exercitar essas habilidades, então?


Cláudio Martins - O exercício a se fazer é como um trabalho de pesquisa. A comunicação, no mundo atual, dá cada vez mais trabalho e lidar com as notícias falsas é um aspecto desse trabalho. Ir atrás da veracidade da informação faz parte do nosso momento como sociedade, até porque a gente não estabelece capacidade por decreto. “A partir de hoje, vou ter senso crítico”. O processo de desenvolvimento não estanca nunca, por isso, esse trabalho contínuo de buscar lidar com as fake news deve gerar uma capacidade mais apurada, talvez um mecanismo de contestação mais claro, tanto individualmente quanto em termos coletivos.


2) Exercite suas capacidades


a) O que fazer para filtrar notícias falsas


Reunimos aqui algumas boas reportagens sobre como identificar fake news.


Superinteressante - Analisar, pesquisar, confirmar, denunciar


G1 - Não leia só o título, desconfie de textos alarmistas, confira datas, descarte informações vagas demais, consulte as fontes, cheque outros veículos de imprensa


BBC - Como se produz uma notícia real e uma falsa? O workshop da BBC para adolescentes e jovens sobre fake news ajuda a entender a origem das informações.




Nexo - 10 boas práticas para o consumo de informações na web


Observe que nas dicas oferecidas por todos esses sites, colhidas com especialistas diversos, há pontos em comum. Basicamente, as recomendações para quem quer exercitar o combate às fake news são:


- Não fique só na superfície (ler só o título ou a primeira frase)

- Questione (desconfie de títulos alarmistas, informações vagas, dados sem fontes)

- Busque respostas (pesquise na internet se há outras fontes publicando a mesma informação, confira canais oficiais de comunicação)

- Não compartilhe o que parecer suspeito


b) Que capacidades você está exercitando?


Ao colocar em prática as sugestões oferecidas pelos especialistas sobre como identificar as fake news, você fortalecerá uma série de habilidades.


Listamos abaixo algumas das capacidades mais diretamente relacionadas ao processo de filtrar o conteúdo que se recebe pelas redes sociais e pelos aplicativos de mensagens.


Senso crítico - Quando alguém desconfia de uma informação, está usando sua capacidade de refletir sobre o mundo. Note que desconfiar não significa necessariamente duvidar, mas colocar uma etapa a mais no caminho entre receber um dado e guardá-lo na cabeça como realidade. Essa etapa é a da reflexão ou a da checagem. Você pode desconfiar e, depois de pensar sobre aquela informação ou de confirmar sua veracidade, aceitá-la. Também pode notar que aquele dado não procede e descartá-lo, protegendo-se de uma visão falsa ou duvidosa. Esse senso crítico, que é a capacidade de questionar, certamente será útil em muitas outras situações.


Poder de fazer as perguntas certas - Ao ir atrás da confirmação de uma história que recebeu, você precisará definir o escopo do seu problema, o que, por sua vez, apontará para a solução que você precisa buscar. O que chamou sua atenção foi a ausência de fontes? Então, precisará se concentrar em buscar a mesma notícia em outros veículos de comunicação. Foi o fato de você nunca ter ouvido falar de uma pessoa mencionada naquela notícia como referência no assunto? Sua iniciativa deve ser a de buscar informações a respeito daquela pessoa. Os dados apresentados parecem exagerados demais? O próximo passo é buscar a fonte oficial de informações para aquele dado e cruzar com o que o material compartilhado citou. Em resumo, checar se uma notícia é falsa exige saber fazer as perguntas certas, para obter as respostas necessárias.


Auto-observação - Recebeu uma notícia por WhatsApp e ficou irritado/a, raivoso/a ou empolgado/a? Esse é um ótimo momento para se observar e refletir sobre você mesmo. Quais são “os gatilhos” para sua emoção naquele momento? Que desejos surgiram depois que você recebeu aquele conteúdo (quis punir alguém ou deu vontade de se mobilizar em prol de uma causa, por exemplo)? Como você lidou com esse sentimento (imediatamente compartilhou a notícia ou esperou para agir)? Tudo isso revela um pouco sobre seus valores, suas prioridades e sua personalidade. Ao observar o efeito que as notícias provocam, portanto, você não só aprende mais sobre quem você é como também fortalece o hábito de prestar atenção a si mesmo, o que é o primeiro passo para agir de forma emocionalmente mais madura (este post do Blog do Veduca explica mais sobre isso)


Controle da impulsividade - Como explicou o Dr. Cláudio Martins, as pessoas muitas vezes repassam as fake news porque algo nessas notícias reflete um sentimento acumulado em outro contexto e que precisa ser externado. Por exemplo, compartilhar um daqueles posts cheios de raiva contra alguém pode ser um alívio, em um momento em que você está indignado com o país. Porém, quem se dispõe a filtrar as fake news precisa segurar temporariamente esse impulso, já que a reflexão sobre o conteúdo ou a checagem das informações exigirão algum tempo. Isso significa exercitar o controle da impulsividade, uma habilidade que pode valer ouro em diversas outras situações.


Abertura a outras visões de mundo - Muitas vezes, quem desconfia e checa informações, antes de compartilhar os conteúdos que recebe, se surpreende com o que apurou. Com frequência, os dados contradizem sua opinião prévia sobre um tema e, se você se compromete a filtrar fake news, isso significa assumir também quando você está errado ou quando os dados são inconclusivos. Nesse processo, relativizar suas certeza sobre o mundo talvez se torne algo menos dolorido, o que deve facilitar que você se abra a novas perspectivas em outras frentes.


3) Por que o combate às fake news é importante para a sociedade?


Além de ser uma oportunidade de fortalecer habilidades individuais, filtrar as fake news, deixar de repassá-las e, quando possível, denunciá-las são atitudes importantes para que tenhamos uma sociedade mais saudável.


Especialistas de diversos setores apontam as notícias falsas como uma ameaça à segurança das pessoas, à saúde e até à Democracia.


Selecionamos algumas matérias sobre o impacto nocivo das fake news, para inspirar você a entrar de vez no combate às histórias enganadoras. Vamos contribuir para um país melhor?


* Esta reportagem da BBC mostra três casos chocantes de fake news que contribuíram para que guerras recentes se instaurassem. A matéria é um lembrete da extensão do dano que as notícias falsas podem provocar sobre países inteiros.


* O G1 conta como os termos “fake news” e “pós-verdade” ganharam atenção inédita, em 2016, a partir da disputa pela Presidência dos Estados Unidos, e como pós-verdade foi eleita a palavra do ano pelo dicionário Oxford, em 2016.


* O site Brasil Escola aprofunda a análise sobre o que é pós-verdade e comenta a relação entre esse conceito e as fake news.


* O Instituto Nacional do Câncer explica como as notícias falsas sobre a doença atrapalham o tratamento e prejudicam a saúde de milhares de pessoas.


* O Globo mostra por que cientistas que estudam as fake news relacionam a difusão dessas notícias à preguiça de pensar.


* Matéria da Agência Brasil explica por que pesquisadores afirmam que as fake news tiveram um papel importante nas eleições de 2018 no Brasil


* O vídeo abaixo, da TV UFMG, mostra como pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais estão analisando o que faz as pessoas compartilharem fake news.



* Nesta boa reportagem da BBC Brasil, o Dr. Cláudio Martins explica os efeitos da fake news sobre a mente humana.


* Para concluir a sequência de links interessantes, o sempre ótimo podcast Mamilos analisa em profundidade os efeitos das fake news.


Curtiu? Fique atento aos próximos posts e e-mails do Veduca!


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Créditos das fotos


Foto da chamada (pessoas usando o celular): ROBIN WORRALL no Unsplash - Veja a foto aqui

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