• Peri Dias

Comunicação não-verbal: sete atitudes para momentos felizes em família



Tente se lembrar das últimas reuniões de família que você teve. As cenas que vêm à sua cabeça provavelmente estão cheias de elementos da comunicação não-verbal: abraços, gargalhadas, silêncios. Qualquer relacionamento é construído a partir do que expressamos explicitamente pelos diálogos, mas também pelo que manifestamos por outras linguagens, como a corporal. Por isso, quando estamos atentos a esse outro nível de interação, podemos adotar atitudes que ajudem a trazer encontros mais felizes.

A Comunicação Não-Verbal como campo de estudos ainda é relativamente pouco explorada por pesquisadores, mas quem já se aprofundou no tema garante que essa disciplina é essencial para entendermos as relações humanas. Luciano Oliva explica que só 7% do que chega aos nossos interlocutores tem a ver com a parte verbal da mensagem – as palavras que usamos.


“Os outros 93% são percebidos nas entrelinhas, por meio da postura, do volume de voz e do ritmo da fala, por exemplo”, explica Oliva.


No entanto, ainda que a maior parte do que transmitimos não venha do vocabulário que escolhemos, tendemos a concentrar nossa atenção nesse aspecto da comunicação. Os outros níveis de troca são absorvidos de forma menos consciente, principalmente quando estamos relaxados e rodeados por pessoas conhecidas. Com isso, podemos perder oportunidades de curtir ao máximo a convivência com quem mais amamos e de potencializar as mensagens que queremos enviar a essas pessoas, como as de carinho, apoio ou alegria por estar perto.

Para entender o papel da comunicação não-verbal nos encontros de família e saber como podemos aproveitá-la para fortalecer os laços com parentes e amigos, o Blog do Veduca conversou com o consultor Paulo Sérgio de Camargo. Palestrante e autor de livros sobre comunicação corporal, liderança e relacionamentos, ele faz um convite simples, para quem for comemorar o Natal ou o Ano Novo em grupo: fique atento a si mesmo e às pessoas que estão ao seu redor. Observe os movimentos, o tom e as expressões faciais daqueles que importam para você, e só isso já facilitará que você estabeleça uma conexão ainda mais verdadeira com eles.

Veja  a seguir sete sugestões para colocar em prática, nas festas de fim de ano, uma maior consciência sobre a comunicação não-verbal.

1) Ouça para valer

A principal orientação do consultor para as pessoas interessadas em aprofundar seus relacionamentos por meio da comunicação não-verbal é estar inteiramente aberto a ouvir o outro. “Ouça com os olhos, com o corpo, com o coração e até com os ouvidos”, ele diz. Quando o outro estiver falando, o fato de você olhar para ele ou ela e se colocar à disposição para escutar de verdade, prestando atenção às palavras, mas também ao tom de voz, às expressões e aos gestos, criará uma harmonia poderosa entre vocês. Segundo Camargo, a dica vale inclusive para casais que vivem juntos.

“Esse conselho tem que ser dado principalmente aos homens, que tendem a ter mais dificuldade para ouvir os outros”, ele afirma.

É unânime, entre os especialistas dessa área, que um bom relacionamento passa necessariamente pela disposição em conhecer o que o interlocutor tem a comunicar, verbalmente ou não.  Em resumo, a regra é: preocupe-se mais em captar a mensagem em seus mais diversos níveis e menos em processar, julgar ou responder imediatamente.

2) Leia os sinais corporais

Mesmo quando você não está conversando com alguém, pode prestar atenção ao que a pessoa está dizendo com o corpo, inclusive quando ela está em silêncio. Paulo Sérgio de Camargo lembra de dois sinais clássicos de interesse de uma pessoa pelo ambiente ou pela conversa em que ela está engajada: os braços descruzados, que mostram abertura ao entorno, e os olhos ligeiramente mais abertos, ao ouvir o outro, do que nos momentos de silêncio, o que também indica atenção à fala alheia. Busque prestar mais atenção ao que a postura das pessoas ao redor parece indicar e você terá um diagnóstico mais preciso de como elas realmente se sentem.

“Nós nascemos equipados para captar o que o outro está dizendo pelos gestos.


Somos capazes de identificar expressões sutis no rosto de alguém, mas para isso, precisamos estar atentos. A prática também ajuda a desenvolver essa percepção”, explica o especialista.  

A leitura dos sinais físicos é útil principalmente na relação com os filhos, que frequentemente se fecham ao diálogo ou deixam de revelar o que de fato estão pensando aos pais, diz o pesquisador.

3) Esteja presente por inteiro (o celular não é parte do seu corpo)


Fileira de pessoas olhando para seus celulares: se possível, fique bem longe do aparelho enquanto está confraternizando com a família, recomenda pesquisador em Comunicação Não-Verbal.


O vilão mais perigoso para a consciência sobre a comunicação não-verbal é o celular, segundo o consultor. Mesmo em um encontro de família, durante um feriado em que a maioria das pessoas não precisa se preocupar com o trabalho, quase sempre tem alguém olhando para a tela do telefone. Isso dificulta uma relação mais profunda não só porque a pessoa que está olhando para o celular não está presente, segundo Paulo Sérgio de Camargo, mas porque ela deixa de receber os outros sinais de comunicação, para além da fala.

“Mesmo que você esteja ouvindo a conversa, não está olhando para os outros, não está percebendo o que dizem, é uma interação pela metade”, explica Camargo.

Para o consultor, em encontros de família como os do fim do ano, o ideal é deixar o celular em um balde de gelo – metaforicamente, claro, mas a mensagem é que você se não tiver algo urgente a resolver, fique longe do aparelho.

4) Sorriso é quase beijo (parece bloco de Carnaval, mas é Ciência)

No estudo da Comunicação Não-Verbal como disciplina, há os gestos de desconexão e os de conexão, de acordo com Paulo Sérgio de Camargo.


Nessa segunda categoria, nenhum é mais poderoso do que o sorriso, ele diz.

“O sorriso é um gesto que intuitivamente nos agrada, ele manda ao cérebro a mensagem de que faz bem olhar para aquela pessoa que está sorrindo e também de que aquela pessoa não tem intenção de agressividade, ou seja, que podemos relaxar.


O sorriso só perde para o beijo, em termos de liberação de endorfina no cérebro. Por isso, o sorriso conecta as pessoas imediatamente”, afirma Camargo.

O mesmo vale para o toque. Abraçar, beijar no rosto e tocar o ombro do interlocutor, quando o grau de proximidade e a ocasião permitirem, são atitudes que liberam ocitocina.


Esse hormônio, associado ao amor e aos relacionamentos, aumenta a sensação de relaxamento e bem-estar.

5) Seja verdadeiro

Ao lermos sobre consciência corporal nos relacionamentos em família, podemos nos questionar se isso não significa perder a espontaneidade. Para o consultor, a resposta é “pelo contrário”.

“Não adianta forçar a barra, até porque as pessoas percebem um gesto falso”, ele diz.


O ponto é prestar atenção ao que os outros estão expressando fisicamente, para entendê-los melhor e poder ter relações mais sinceras. Da mesma forma, quem se coloca fisicamente mais aberto a ouvir o outro – com braços descruzados, olhar atento e escuta verdadeira – acaba ficando, de fato, mais atento. Mesmo que o gestual seja planejado, o resultado é uma disponibilidade maior para os outros, o que tende a levar a um diálogo mais profundo e sincero.

6) Evite as armadilhas do diálogo conflitivo (será que vale a pena discutir o Escola Sem Partido?)

Você pode estar a fim de discutir política ou outros temas potencialmente polêmicos com a sua família, mas lembre-se que, ultimamente, os diálogos sobre o tema têm cobrado um preço alto, no quesito da harmonia familiar.


Antes de pular de cabeça em uma conversa que tem tudo para gerar tensão, tente refletir um pouco sobre se vale a pena fazer isso.


Você vai aprender algo ou vai se divertir com essa conversa?

Vai liberar algo que estava preso na garganta e que você precisa de toda forma expressar? Enfim, que resultado você espera ter com essa conversa de alto risco para a boa convivência?

Se achar que vale a pena embarcar no debate, não perca de vista a comunicação não-verbal.


É fácil se concentrar somente em formular uma resposta genial para aquele primo que discorda de você e se esquecer do entorno, mas tente perceber também os gestos e o tom de voz do interlocutor e das pessoas ao seu redor. Podem ser as pistas para saber quando o limite da conversa produtiva foi alcançado.

“Todos nós temos esqueletos no armário ou alguma dose de rancor em relação a alguém da família, mas as festas de fim de ano dificilmente serão o melhor momento para resolver isso. O mais provável é que ninguém se escute de verdade e a conversa termine em confusão. Não é um problema ceder um pouco, você pode deixar aquela pessoa que quer briga falar sozinha, naquele dia, e buscá-la para conversar em outra ocasião”, ele diz.

7) Leve isso para o ano inteiro

Fez o exercício de prestar mais atenção à comunicação não-verbal, nos encontros de família, e gostou do resultado? Tente seguir adiante com o treino.


“Para serem efetivas, essas técnicas têm que virar hábito”, explica o consultor. Afiar a sua capacidade de percepção dos outros e de si mesmo pode ser uma boa forma de tornar os seus relacionamentos ainda melhores, em 2019.

Quer saber mais sobre comunicação não-verbal?

Blog do Veduca resolveu compartilhar esse vídeo abaixo, do programa Encontro com Fátima Bernardes, da TV Globo, sobre os benefícios de um carinho sincero.



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