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  • Peri Dias

Cantores LGBT+ e suas experiências, em 15 músicas



Amor, felicidade, dor de cotovelo e sexo são alguns dos temas que cantores LGBT+ exploram em suas músicas – assim como fazem os cantores heterossexuais. Então, se esses temas universais da humanidade aparecem nas canções de pessoas de todas as orientações e gêneros, por que definir uma categoria de cantores LGBT+?


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A resposta vem das letras que os próprios artistas compõem e interpretam: porque as particularidades da experiência LGBT+, que há muito tempo precisavam ser cantadas, finalmente começam a aparecer com mais clareza e nuances. Assuntos que pouco ou nada têm a ver com o vivência heterossexual surgem com muita frequência nas vozes desses cantores, como a descoberta do afeto e da sexualidade fora dos padrões tradicionais, o alívio em se aceitar, o medo da violência homofóbica e transfóbica, a euforia da vida noturna e a luta política por representação.


Ao fazer poesia e ritmo sobre sentimentos que qualquer pessoa pode entender, mas com as cores específicas da realidade LGBT+, vem se consolidando no cenário musical brasileiro um grupo cada vez mais numeroso de artistas lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros e que se expressam abertamente sobre sua identidade, em entrevistas, manifestações e em sua própria música. A demanda por esse tipo de registro também parece ganhar força. Uma das representantes mais conhecidas dessa leva de cantores LGBT+, a cantora Pabllo Vittar, que se identifica como gay e drag queen, já acumula mais de 1 bilhão de visualizações no YouTube.


No Spotify, um dos aplicativos de música mais populares do mundo, já existe uma série de canais específicos para músicas de cantores LGBT+, como o “gay e brasileira”, compilado por Pedro Blanco. Além disso, canções de Karol Konka, Silva, Rico Dalasam, Liniker, Johnny Hooker e da própria Pabllo Vittar há tempos já fazem parte da trilha sonora de novelas da TV Globo e de propagandas de empresas como operadoras de celular, um sinal de que a estética e a mensagem de músicos LGBT+ já furou a bolha da própria comunidade e virou mainstream.


Outra mudança significativa na forma como a vida dos LGBT+ tem sido retratada na música brasileira é a presença significativa de pessoas transexuais, negras e moradoras das periferias entre as que fazem sucesso nesse filão. A experiência que por muito tempo foi a mais “vendável” do universo LGBT+, a do homem cisgênero (que se identifica com o gênero que lhe foi atribuído ao nascer), branco, de classe média, pouco afeminado, com corpo sarado e roupas de marca, parece ter perdido o protagonismo na cena atual. Uma boa parte das canções da leva atual aborda explicitamente o orgulho de ser “bicha, preta, favelada”, “sapatona futurista” ou “o tipo de garota que choca todo o povão”.


Para completar, artistas que fazem sucesso há décadas, como Daniela Mercury e Lulu Santos, estão mais dispostos do que nunca a falar sobre seus relacionamentos com pessoas do mesmo sexo e a expressar abertamente, por meio da arte, mensagens pelo amor livre de preconceitos.


Em uma celebração a esse momento de diversificação das experiências retratadas pela música no Brasil, o Blog do Veduca listou abaixo 15 canções sobre a experiência LGBT+ no Brasil. São músicas que falam do combate à discriminação, da auto-aceitação, do “fervo” na balada e da  exigência por igualdade de direitos, mas também, é claro, de amor.


Ouça sem medo de ser feliz!


15 cantores LGBT+ que exploraram diferentes facetas dessa identidade


Daniela Mercury

Música: Rainha do Axé

Que faceta da experiência LGBT+ a música expressa: o amor entre duas mulheres e o orgulho pelo empoderamento feminino.



Em 2014, a cantora baiana celebrou seu amor por Malu Verçosa, jornalista com quem é casada há mais de cinco anos, em versos da música Rainha do Axé, que também ficou conhecida como Rainha Má. A letra homenageia mulheres que se destacaram por sua coragem ou protagonismo, como uma das primeiras desembargadoras negras do Brasil, Luislinda Valois, a escritora Rachel de Queiroz e a atriz e cantora Bibi Ferreira. No refrão, vem a declaração à esposa: “Eu e ela, eu e ela, Eu e ela, ela e eu, e o amor, Malu e eu”  


Johnny Hooker

Música: Flutua (com participação de Liniker)

Que faceta da experiência LGBT+ a música expressa: A coragem para lutar contra a homofobia



Em plena véspera de Natal de 2017, o recifense Johnny Hooker, um dos cantores LGBT+ que se posicionam mais assertivamente sobre o tema, lançou o clipe da música Flutua, no que parecia ser uma mensagem à tradicional família brasileira, a de que o tempo de ficar no armário chegou ao fim. A letra diz: “O que vão dizer de nós? / Seus pais, Deus e coisas tais / Quando ouvirem rumores do nosso amor. Baby, eu já cansei de me esconder / De olhares, sussurros com você./ Somos dois homens e nada mais. / Eles não vão vencer”.


MC Lynn da Quebrada

Música: Bixa Preta

Que faceta da experiência LGBT+ a música expressa: como enfrentar preconceitos por ser gay, negro, morar em uma favela e, ainda assim, ter orgulho de si mesmo.



A letra, pesada, resume a atitude desafiadora de Lynn da Quebrada. Ser negra, gay e favelada significa enfrentar uma série de preconceitos, mas a cantora trans paulistana veio dizer que não está nem aí para a opinião alheia – ela é o que ela é.


Gloria Groove

Música: Dona

Que faceta da experiência LGBT+ a música expressa: a afirmação da cultura drag queen e do poder da diversidade



Uma drag queen do rap, vinda da zona leste de São Paulo para mostrar que ser diferente dos outros pode ser bom. É assim que Gloria Groove se apresenta em suas músicas. A letra de Dona expressa exatamente isso: “Ai meu Jesus/ Que negócio é esse daí?/ É mulher?/ Que bicho que é?/ Prazer, eu sou arte, meu querido/ Então pode me aplaudir de pé/ Represento esforço/ Tipo de talento/ Cultivo respeito/ Cultura drag é missão!/ Um salve a todas as montadas da nossa nação!” Assista também à entrevista de Gloria para a revista Trip.


Lia Clark

Música: Tipo de Garota

Que faceta da experiência LGBT+ a música expressa: a curtição da noite e a atitude ousada das drag queens



A cantora de Santos (SP) canta funk melody, daquele tipo cujas letras muitas vezes são impublicáveis, mas que botam uma quantidade impressionante de pessoas para dançar. Lia é uma das primeiras (se não for a primeira) drag queens a cantar funk. Porém, como mostra a letra de Tipo de Garota, uma das músicas mais comedidas da artista, isso não é um problema para ela: “Sou o tipo de garota que choca todo o povão/ Jogo o cabelo pro lado e desço ao som do tamborzão”.


Cazuza

Música: Quarta-feira



Que faceta da experiência LGBT+ a música expressa: a dificuldade de se assumir gay nos anos 1980 e o deboche como forma de enfrentar o preconceito. Como explica o jornalista Raphael Vidigal, em um ótimo post do blog Esquina Musical, Cazuza já tinha incluído referências à homossexualidade e à bissexualidade em músicas como “Por Que a Gente é Assim”, de 1984, mas foi em Quarta-feira, de 1987, que o cantor fez a primeira menção explícita, em uma letra de música, à sua atração por outros homens. Com o humor e a ousadia típicos de suas canções, Cazuza conta o seguinte: “Eu ando apaixonado/ Por cachorros e bichas/ Duques e Xerifes/ Baby, é só porque eles sabem/ Sabem que amar/ Amar (é abanar o rabo)”.


Marina Lima

Música: Não Estou Bem Certa

Que faceta da experiência LGBT+ a música expressa: a bissexualidade, suas incertezas e múltiplas possibilidades



Nesta canção lançada em 1991, Marina Lima, sucesso desde os anos 1980, mostrou as nuances da experiência de ser bissexual, em versos surpreendentes sobre como a atração dirigida a homens e mulheres pode ser, ao mesmo tempo, complexa e excitante. Diz a letra: “Tudo que eu pensei ser prá sempre./ Eu já não sei se é mais./ Penso na menina e fico atenta aos braços do rapaz./ Vai que eu quero alguém diferente./ Vai que alguém quer ser”. Em outro trecho, igualmente interessante, ela conta que “Procurar Ricardos em Solanges nunca me fez mal”.


Renato Russo

Música: Meninos e Meninas

Que faceta da experiência LGBT+ a música expressa:  A atração por garotas e garotos, em uma época em que quase nenhuma celebridade brasileira se assumia bissexual.



Com uma única frase, Renato Russo reuniu questões  que os dois cantores acima também exploraram: a complexidade e o fascínio da experiência bissexual, como revelou Marina Lima, e a coragem de Cazuza para sair do armário na segunda metade dos anos 1980, uma época em que a AIDS foi usada como desculpa para condenar a homossexualidade e a bissexualidade. A música ainda é uma das mais populares do Legião Urbana e o verso “e eu gosto de meninos e meninas” segue um símbolo da coragem de se assumir com todas as letras, em uma família religiosa e em uma sociedade buscando um bode expiatório para o vírus HIV.


GA31

Música: Felizmente Sigo SapatonaS

Que faceta da experiência LGBT+ a música expressa: o orgulho lésbico em alto e bom som



A batida eletrônica de GA31 (lê-se Gabi, como se o “3” substituísse o “b” e o “1” substituísse o “i”) é o veículo da artista para letras simples e claras sobre o orgulho de ser uma mulher lésbica. A começar pelo título, Felizmente Sigo Sapatona é uma apologia sem rodeios à autoaceitação e à liberdade:  Agora é hora de ser feliz./ Felizmente sigo sapatona./ Não tenho porque ter vergonha./ Da minha verdade e honra./ Da minha verdade e honra/. Sapatona”.


Lulu Santos

Música: Orgulho e Preconceito

Que faceta da experiência LGBT+ a música expressa: a conquista da liberdade para se dizer “eu te amo” a quem quer que seja



Um dos cantores LGBT+ brasileiros que fazem sucesso há mais tempo, Lulu Santos nunca foi tão explícito sobre sua experiência como homossexual quanto na música Orgulho e Preconceito, lançada em 2018. Composta em homenagem ao baiano Clébson Teixeira, namorado do cantor, a letra diz: “Esta canção é pra você nunca mais ter que sussurrar quando diz que me ama. Pra te libertar de todo julgamento alheio. Pra você poder dizer sem receio: Te Amo! Só sinto verdade no que ouço, só sinceridade. Não daria certo de outro jeito. Ouça o coração mais que a um preconceito. Pra poder dizer do fundo do peito: Lux, te amo”


Rico Dalasam

Música: Dalasam

Que faceta da experiência LGBT+ a música expressa: Autoaceitação e orgulho (apesar de um coração partido, de vez em quando, ser inevitável)



Representante do queer rap, o estilo musical que reúne raps de artistas LGBT+, Dalasam marcou, desde que começou a fazer sucesso nos “bairros de rico” de São Paulo, seu espaço como artista gay. Em uma cena muitas vezes descrita como machista, ele faz questão de usar suas letras para falar sobre a importância da autoaceitação. Em “Aceite-C”, a mensagem ficou bem explícita, mas foi em Dalasam, canção em que o rapper contou ao mundo como queria ser conhecido, que ele compartilhou com mais clareza e poesia sua experiência com outros garotos: “eu posso não ser o príncipe encantado do meu príncipe encantado, mas eu sou Dalasam”. Saiba mais sobre o rapper nesta entrevista de 2015 à Carta Capital.


Pabllo Vittar

Música: Indestrutível

Que faceta da experiência LGBT+ a música expressa: a força para resistir à violência homofóbica na adolescência



A drag queen Pabllo Vittar é a cara da geração de cantores LGBT+ que passou a fazer sucesso na segunda metade dos anos 2010. Famosa, assumida, Pabllo não se desculpa por ser quem é, bagunça rótulos e mostra-se confiante. Ela fala de amor, alegria e sexo em suas letras, nem sempre definindo, nos versos, o gênero ou a orientação sexual do eu lírico, mas também se posiciona claramente contra o preconceito e a homofobia. Em Indestrutível, Pabllo manda um recado para os adolescentes LGBT+: vai ficar tudo bem e você pode ser quem você quiser. Letra triste, mas necessária.


Liniker

Música: Caeu

Que faceta da experiência LGBT+ a música expressa: a vontade de que as coisas deem certo com o crush e a alegria de quando tudo vai bem.



A cantora Liniker fala sempre de amor e de carinho em suas músicas, que misturam jazz, soul e brasilidades. Em pelo menos uma delas, Caeu, Liniker, que se identifica como pessoa trans, expressa aquela ansiedade dos primeiros encontros, em que a gente torce para que as coisas deem certo, mas ainda não sabe se vai ter afinidade com a outra pessoa. Na letra, Liniker pede a alguém “Fale dele para mim./ Ajude ele a pensar que sou eu o da vez (O da vez)”. O final dessa história, ainda bem, é feliz.


Caio Prado

Música: Não Recomendado

Que faceta da experiência LGBT+ a música expressa: a luta política para ter sua existência e seu corpo respeitados



O cantor e compositor carioca Caio Prado cria músicas ricas em som e significado. Suas letras são críticas e políticas (no sentido mais amplo do termo, aquele que se refere a poder e organização social), mas não perdem o conteúdo poético. Em Não Recomendado, Caio canta: “Pervertido, mal amado, menino malvado, muito cuidado!/ Má influência, péssima aparência, menino indecente, viado!/ Pervertido, mal amado, menino malvado, muito cuidado!/ Má influência, péssima aparência, menino indecente, viado!/ A placa de censura no meu rosto diz: Não recomendado a sociedade./ A tarja de conforto no meu corpo diz: Não recomendado a sociedade”.


Silva

Música: Sou Desse Jeito

Que faceta da experiência LGBT+ a música expressa: a decisão de viver como quem realmente se é.



Fechando a lista, o capixaba Silva mostra que “ser LGBT+” é apenas “ser”: “Um dia eu percebi que era o meu jeito/ tão diferente assim do seu conceito./ É o que existe em mim, não é defeito./ Já tentei te falar, é complicado./ Te mostrei tanta cor e o azulado é o que ver você quer ver, é o que você ver./ Não é do jeito que você pensou,/ Não é tão perfeito, é só como sou. Das coisas todas, prefiri o amor./ Eu preferi o amor e ser bem como sou”.



Veja outras informações sobre cantores LGBT+


Karol Conka faz parte da leva de cantores LGBT+ que falam abertamente sobre o tema em entrevistas. Bissexual, ela conta, nesta conversa com a Revista Glamour, que olha mais para quem as pessoas são do que para o seu gênero. Obviamente, os cantores LGBT+ não são os únicos a criar letras contestadoras, na cena brasileira atual. Esta lista do blog Francamente, Querida traz “12 músicas atuais e empoderadoras de artistas brasileiras“.


O site da Associação da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo publicou esta lista de “15 cantores LGBT+ que estão dominando a indústria musical brasileira”. Nem todos estão na nossa lista, e temos artistas que não estão na lista deles, porque este blog fala sobre músicas que contam a experiência LGBT+ em suas letras, mas vale a pena ver quem eles selecionaram.


Enquanto a representatividade aumenta na música, graças ao grupo de cantores LGBT+ que compartilham suas vivências, a presença das lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros na Câmara dos Deputados e no Senado continua ínfima. Este post do Blog do Veduca mostra que os parlamentares LGBT+ representam só 0,5% do total no Congresso.


Gostou de conhecer músicas de cantores LGBT+ que falam sobre suas experiências? Assista ao curso online LGBT+: Conceitos e Histórias, disponível gratuitamente no Veduca, e saiba mais sobre como é ser LGBT+ no Brasil.